HALLOWEEN E A REFORMA

 

Halloween e Reforma

Pr. Mauricio Andrade


[Nota: O texto abaixo é parte de uma série de palestras proferidas pelo Pr. Maurício Andrade na igreja onde é ministro, Igreja Batista Bíblica do Rio de Janeiro.] 

A celebração mais antiga do Halloween teve lugar entre os Celtas, que viveram há mais de 2000 anos na região onde hoje se encontram Inglaterra, Irlanda, Escócia e o noroeste da França. Os sacerdotes celtas, chamados druidas, costumavam honrar Samhain, deus dos mortos, ao entardecer do dia 31 de outubro e no dia 1º de novembro. De acordo com a lenda Celta, Samhain controlava os espíritos dos mortos e tinha poder tanto para permitir que eles descansassem em paz como para fazê-los aterrorizar os vivos durante aquela noite.

No século XIX, imigrantes irlandeses levaram o feriado para a América do Norte, onde ele gradualmente se tornou uma celebração nacional.

A Reforma Protestante, no séc. XVI, foi a expressão da intervenção de Deus na história, vitalizando sua igreja e trazendo seu povo de volta à solidez de sua eterna Palavra. Foi um momento difícil para líderes verdadeiramente cristãos que, envolvidos numa terrível batalha pela verdade, tiveram que lutar, ainda, contra suas próprias imperfeições, mas que lograram, pela graça de Deus, manter viva a chama do Evangelho eterno. Ninguém que tenha sido salvo pela graça estuda aquele período sem sentir seu coração aquecer de gratidão a Deus pelo cuidado demonstrado para com sua Igreja.

Infelizmente, o espírito que caracteriza toda virada de século, unido à virada de milênio, tem afetado até os filhos da luz. Esquecendo-se dos grandes feitos de Deus na história, agem como se esta geração se constituísse no início do trabalho do Senhor. Alguns dão a impressão de que o cristianismo começou no Brasil nestas últimas três ou quatro décadas. Esquecendo-se das antigas e sólidas doutrinas que sustentaram a igreja durante toda sua existência entregam-se a novidades sem questionarem suas origens, quase sempre visando somente os resultados. Seria prudente escutar o que diz o texto bíblico e não imitar o triste procedimento do povo de Deus no passado: “Assim diz o Senhor: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos.” (Jr 6.16)

A Bíblia ensina que os que amam ao Senhor amam a história de seus poderosos feitos!


PARTE II

“Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram de fato assim.” (At 17.11).

Há alguns meses, conversei com irmãos americanos especificamente sobre a festa do Halloween e como tem sido seu impacto sobre a igreja naquele país. Queria saber como as igrejas encaravam as atividades e brincadeiras feitas nessa data. A resposta deixou claro que, como ocorre no Brasil com várias datas especiais, o comércio é uma força enorme por trás de muito que se faz em torno da festa. Além disso, ficou óbvio que, mesmo as igrejas mais conservadoras começam a permitir que suas crianças participem das atividades alegando, sobre tudo, que “não há nada de mais…”. Vocês já devem ter ouvido em algum filme a frase “doces ou travessuras?” (“Trick or treat?”) ditas por crianças fantasiadas a caráter (bruxas, duendes, monstros, etc).  E qual seria o problema?

Creio haver uma grande distinção entre a participação consciente em atividades que fazem parte da cultura de um povo e o envolvimento ingênuo e descuidado em qualquer atividade. Novamente, deixamos de fazer as perguntas importantes. Se, com relação aos feitos poderosos de Deus esquecemos de perguntar pelas ‘antigas veredas’, agora, imprudentemente, não perguntamos pelo significado, origem, propósito e desdobramentos daquilo em que, muitas vezes, nos envolvemos. Não é assim que devem proceder os filhos da Luz.

Por outro lado, a Reforma Protestante foi exatamente uma época de questionamentos: por que a tradição deveria ter tanta autoridade quanto a Palavra de Deus? que autoridade tinha o papa para “conceder” indulgências? qual a verdadeira relação entre a salvação e as obras? E entre a fé e a justificação? por que o povo deveria ficar afastado da Bíblia e sem ter capacidade para lê-la? o que ensinaram e fizeram os Apóstolos a respeito dessas questões?

Infelizmente, temo que no próximo dia 31, poucos se importarão de perguntar pelo real sentido e propósito da Reforma do séc. XVI e o seu significado para nós, hoje. Também receio que alguns, por descuido e por se deixarem levar pela ‘teologia’ do “que é que tem de mais?”, se sintam um pouco mais à vontade, senão com o Halloween, talvez com qualquer prática estranha à igreja, sem os devidos questionamentos.

Que grande exemplo o daqueles judeus de Beréia: questionaram os acontecimentos através das Escrituras!

Durante a Reforma, homens e mulheres de Deus semearam boa semente para as gerações vindouras. O salmista também tinha a preocupação de passar às vindouras gerações o conhecimento dos feitos do Senhor (Sl 78.3-4). E nós? Que semente estamos plantando para os nossos filhos e filhas?

 

 

PARTE III

“Vós corríeis bem; quem vos impediu de continuardes a obedecer à verdade? Esta persuasão não vem daquele que vos chama. Um pouco de fermento leveda toda a massa.” (Gl 5.7-9)

O gato preto é um dos símbolos do Halloween. Os celtas acreditavam que os bichanos  eram pessoas transformadas por magia negra. O sincretismo dessa crença com o pensamento católico medieval fez do gato preto o companheiro inseparável  das  bruxas.  A  lenda  ainda veio dizer, mais tarde, que as próprias bruxas  se  transformavam  em gatos. O que nos interessa aqui é observar  como o cristianismo, separado da âncora da Palavra Eterna, pode se  misturar  (e  freqüentemente  o  faz)  a  quaisquer  idéias  de cunho sobrenatural, místico e religioso.

Refletir sobre Halloween e Reforma nos levará, em algum momento, a pensar na  questão  de como pequenas coisas, insignificantes, que fazem parte do grupo  do “que é que tem de mais?” acabam se tornando parte importante de nosso  pensamento,  cultura e mesmo doutrina. Deus, que conhece o coração humano,  demonstrou cuidado com Sua igreja ao fazer o apóstolo escrever o texto  citado no início – “…um pouco de fermento…”. Temos a tendência de  vigiar a aproximação dos grandes perigos, ignorando, muitas vezes, as sutilezas  do engano que, pouco a pouco, vão minando a verdade. Em geral, todo  crente  ao  se  converter,  tende  a  pensar  que  a  totalidade do cristianismo é constituída pelo microcosmo de sua igreja/denominação. Não levado  a  valorizar  a  história (os poderosos feitos de Deus), demora a aprender  a  identificar  as pequenas variações na verdade que, no devido tempo, darão lugar à mentira. A busca por resultados rápidos, a ânsia por projeção  e  poder  de  alguns  líderes  e a fascinação diante de “novas” revelações,  preparam  o  terreno  fértil  para o erro. É interessante (e benéfico) observar as perguntas feitas pelo apóstolo à igreja da Galácia:  “Quem  vos  impediu…?” (5.7), “Quem vos fascinou…?” (3.1), bem como a  assertiva “Esta persuasão não vem daquele que vos chama!” (7.8).

No  século  XVI,  Deus interveio na vida de seu povo e aguçou a mente e o  coração  de  seus  servos  com  estas  e  outras  importantes questões. O resultado foi um retorno às antigas e sólidas doutrinas da Palavra. Seria uma  excelente idéia celebrarmos a reforma, no próximo dia 31, refletindo um  pouco  sobre  o atual momento da igreja. Sem nos deixarmos levar pela euforia,  olhar  com gratidão o que Deus fez no passado e, com santo zelo observar o presente, filtrando com as Escrituras nossa prática da igreja, neste início de século.

Lancemos fora todo o fermento!

 

 

PARTE IV

Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas. (Jr. 2.13)

Cem  anos antes da Reforma, John Huss foi martirizado ao pregar doutrinas semelhantes às de Martinho Lutero;

Quando  Lutero  afixou  suas  95  teses  na porta da igreja do castelo de Wittenberg,  na Alemanha, no dia 31 de outubro de 1517, ele estava usando um  procedimento  comum  na  época:  chamando outros à discussão daqueles temas. Exceto uns poucos acadêmicos, ninguém apareceu, no entanto alguns  homens  copiaram  as  teses  de  Lutero  e as fizeram imprimir (a imprensa  havia  sido  inventada em1448, por Johann Gutenberg). Foi assim que elas começaram a agitar a igreja na Europa;

A  principal  questão  levantada por Lutero foi a da Justificação pela Fé Somente.  Mais  tarde  o  reformador diria: “Sobre essa doutrina a igreja fica de pé ou cai!”;

O  mote  dos reformadores e seus sucessores, que expressava bem as fontes onde  se  devia  buscar  base para qualquer ensino na igreja, é traduzido assim:  “Somente as Escrituras, Somente pela Fé, Somente a Graça, Somente em  Cristo, Só a Deus a Glória!” (Sola Scriptura, Sola Fide, Sola Gratia, Solo Christo, Soli Deo Gloria!);

A  Reforma  não  revigorou  somente  a  igreja.  Na área da educação, das ciências  (física, química, biológica), da medicina, da política e várias outras,  toda  a  sociedade  sentiu  os efeitos libertadores da aplicação prática da Bíblia à vida cotidiana;

A   Reforma  foi,  sem  dúvida,  um  avivamento.  E,  como  todo  genuíno avivamento,  um  retorno.  Retorno  à  antiga  Fé;  à  Eterna Palavra; ao primeiro  amor;  às  antigas doutrinas. Um consciente e decidido abandono das  “cisternas  rotas”  e  um não menos decidido retorno ao Manancial de Águas  Vivas.  Não  se  tratou  de  descobrir  coisas  novas,  e  sim  de redescobrir  as  antigas.  Só  poderemos  olhar  o futuro com confiança e verdadeira  esperança se nossas raízes estiverem bem firmes nas Promessas feitas  na  antigüidade. O apóstolo insta conosco para reavaliarmos nossa fé  e  nosso caminho (II Co 13.5). Não se trata de saudosismo nem mórbida nostalgia.  Os convites, nas Escrituras, para olharmos nossas origens são muitos.  No  Antigo Testamento “O Deus que te tirou da terra do Egito…”   era  a  base  sobre  a  qual  os  profetas  chamavam  o  povo  de Deus ao arrependimento  e  renovação  de sua fé. Desde de a era apostólica a obra perfeita, completa e suficiente de Cristo na cruz tem sido essa base.

Retornemos sempre ao Rio de Deus!

Uma abençoada celebração da Reforma!

 

Este artigo é parte integrante do portal http://www.textosdareforma.net. Exerça seu Cristianismo: se vai usar nosso material, cite o autor, a editora e o nosso endereço.

 

Uma ideia sobre “HALLOWEEN E A REFORMA

  1. REVELAÇÃO / EXORTAÇÃO:
    Urge propagarmos na terra, a certeza de que Jesus Cristo ja vive agindo entre nós, espargindo a luz do saber, criando Irmãos espirituais, e a nova era Cristã. Eu não minto, e a Espiritualidade que esperava pela sua volta, pode comprovar que digo a verdade. Por princípio, basta recompormos as 77 letras e os 5 sinais que compõem o titulo do 1º. livro bíblico, assim: O PRIMEIRO LIVRO DE MOISÉS CHAMADO GÊNESIS: A CRIAÇÃO DOS CÉUS E DA TERRA E DE TUDO O QUE NÊLES HÁ: Agora, pois, todos podem ver que: HÁ UM HOMEM LENDO AS VERDADES DO SEU ESPÍRITO: ÊLE É O GÊNIO CRIADOR QUE CRIA ESSA AÇÃO DE CRISTO. (LC.15.28) E cumpriu-se a escritura que diz: (JB.14.17) O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem conhece, vós o conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós. Regozijemo-nos ante a presença do Nosso Senhor, e façamos jus ao poder que o Filho do Homem traz às Almas Justas, para a formação da verdadeira Cristandade.

    (MT.26.24) – O FILHO DO HOMEM VAI, COMO ESTÁ ESCRITO A SEU RESPEITO, MAS AI DAQUELE POR INTERMÉDIO DE QUEM O FILHO DO HOMEM ESTÁ SENDO TRAIDO! MELHOR LHE FORA NÃO HAVER NASCIDO.

    E, ao recompormos as 130 letras e os 7 sinais que compõem esse texto, todos já podem ler, saber e entender quem é o Filho do Homem.

    E O FILHO DO HOMEM É O ESPÍRITO QUE TESTA AS ALMAS DO HOMEM E DA MULHER, NA VERDADE DO SENHOR, COMO CRISTO: E EIS A PROVA QUE O FILHO DO HOMEM FOI TREINADO NA LEI CRISTÃ

    (MC.14.41) – CHEGOU A HORA, O FILHO DO HOMEM ESTÁ SENDO ENTREGUE NAS MÃOS DOS PECADORES. E hoje, quem quiser interagir com o Filho do Homem, deve buscar “A Bibliogênese de Israel”, que já está disponível na internet. E quem não quiser, pode continuar vivendo de esperança vã, assistindo passivamente a agonia da vida terrena, à par da auto-destruição do nosso planeta… .

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