DEUS, O DISCÍPULO E AS ADVERSIDADES
Rm 8:28
O universo não surgiu por ocaso nem é dirigido por leis autônomas, Gn 1:1. Somente Deus é auto-existente e auto-suficiente. Deus criou todas as coisas e as sustenta com o seu poder. Deus dirige o universo e nada acontece sem que ele o saiba e permita. Certamente o pecado trouxe sofrimento, dor e catástrofes para o mundo, mas Deus continua conduzindo os acontecimentos de tal maneira que todas as coisas contribuam para o bem daqueles que o amam. Romanos 8:28 sintetiza essa verdade assim: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Diante disso temos alguns fatos a considerar:
1) O CONTROLE DIVINO SOBRE OS ACONTECIMENTOS NÃO É ALGO SUJEITO A QUESTIONAMENTOS
Paulo começa o texto fazendo uma afirmação categórica. Esta não é uma linguagem de suposições duvidosas, mas da certeza inabalável. O texto bíblico não diz: pensamos, cogitamos, sentimos, imaginamos. Pelo contrário, a linguagem apostólica é de enorme clareza e convicção: “sabemos…”.
Embora, as catástrofes pareçam negar essa verdade; embora as injustiças pareçam conspirar contra esta revelação divina; embora as vozes da incredulidade e do determinismo pareçam entenebrecer a luz fulgorante dessa proclamação apostólica, a verdade de Deus permanece hoje e sempre inabalável, Mt 24:35.
A história confirma o fato que o Deus vivo dirige todas as coisas, cumprindo seus soberanos e santos propósitos na vida daqueles que o amam.
2) OS ACONTECIMENTOS BONS E RUINS SÃO IGUALMENTE TRABALHADOS POR DEUS PARA A PROMOÇÃO DO NOSSO BEM E LOUVOR DA SUA GLÓRIA.
Paulo não está dizendo que todas as coisas que acontecem são boas, nem que Deus aprova todas as coisas que acontecem. O malfeitor jamais será inocentando por conceber, maquinar e praticar o mal. Toda forma de mal deve ser repudiado com todo o rigor. Entretanto, a Bíblia nos ensina que embora o mal aconteça na vida daqueles que amam a Deus, esse mal será processado de tal forma que ele se transforma em bem. Não que as coisam operem por si mesmas. O que Paulo ensina claramente é que Deus está com as rédeas da história em suas mãos e ele trabalha de tal forma que o mal se trasforma em bem na vida daqueles que o amam.
Veja o testemunho de José: “Vós bem intentastes o mal contra mim; porém Deus o intentou para bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida” (Gn 50:20). Ele salvou o mundo da fome naquela época. Se não fosse assim, será que esse fato estaria na história? Acredito que não!
3) TUDO QUE ACONTECE EM NOSSA VIDA TEM UM PROPÓSITO DIVINO DE PROMOVER O NOSSO BEM.
As provações não têm a finalidade de destruir os filhos de Deus, 2 Co 4:9. Quando Deus nos permite sofrer não é porque ele é sádico, nem porque ele é indiferente à nossa dor. Quando os nossos pés cruzam os desertos áridos, quando a nossa vida é batida por vendavais furiosos, quando andamos pelo vale da sombra da morte não é porque Deus nos abandonou; pelo contrário, nessas horas Deus está tecendo os acontecimentos de tal forma que tudo concorra para o nosso bem final. Que bem é esse? Não é saúde, não é riqueza, não é prazer, não é felicidade terrena. O bem final é sermos transformados à imagem de Jesus. O grande e eterno projeto de Deus em nossa vida não é fazer felizes, mas nos fazer santos. Deus nos predestinou para sermos conformes à imagem do seu filho. O sofrimento é a escola de Deus onde crescemos em maturidade e obediência, Hb 12:5-6.
4) SOMENTE AQUELES QUE AMAM A DEUS ESTÃO INCLUÍDOS NESSA PROMESSA.
O ímpio concebe o veneno do pecado no coração, alimenta-se do seu próprio veneno e sofre as conseqüências de seus próprios desejos e atos. O mal que ele planta, ele colhe, Mq 2:1; Pv 3:33. Mas aqueles que amam a Deus, embora perseguidos, injustiçados e atormentados por muitos males têm a promessa de que o próprio Deus opera nessas circunstâncias de tal forma que o mal é revertido em bem. Ainda que os olhos humanos não contemplem a recompensa imediata, ainda que neste mundo tenhamos que beber o cálice amargo da dor, sabemos que o sofrimento do tempo presente jamais ofuscará as glórias inefáveis que nos estão reservadas no céu, Rm 8:18. Nossa confiança não está estribada em nossa força, inteligência, poder ou riqueza, mas naquele que é, que era e que há de vir, o Deus único, verdadeiro, criador, sustentador e Salvador.
Conclusão: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós, que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo, em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo; Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso; Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas” (1 Pe 1:3-9).
Wanderley da Silva e Roseli Stefane da Silva
Pastores da Igreja Presbiteriana Renovada em São José – Santa Catarina